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O Brasil explicado em galinhas...

enviado por José Renato, 07 de outubro de 2011 - 0 comentários

por Luis Fernando Veríssimo

Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o levaram

para a delegacia.

 

D - Delegado

L - Ladrão

D - Que vida mansa, hein, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!

L - Não era para mim não. Era para vender.

D - Pior, venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!

L - Mas eu vendia mais caro.

D - Mais caro?

L - Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.

D - Mas eram as mesmas galinhas, safado.

L - Os ovos das minhas eu pintava.

D - Que grande pilantra... (mas já havia um certo respeito no tom do delegado...) Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega..

L - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.

D - E o que você faz com o lucro do seu negócio?

L - Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.

 

O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:

D - Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?

L - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.

D - E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?

L - Às vezes. Sabe como é.

D - Não sei não, excelência. Me explique.

L - É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto

realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.

D - O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.

L - Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!

D - Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...

Postado em: Causos






O Brasil explicado em galinhas...

enviado por José Renato, 19 de agosto de 2011 - 0 comentários

Autoria: Luis Fernando Veríssimo

Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o levaram

para a delegacia.

 

D - Delegado

L - Ladrão

 

D - Que vida mansa, hein, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!

L - Não era para mim não. Era para vender.

 

D - Pior, venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!

L - Mas eu vendia mais caro.

 

D - Mais caro?

L - Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.

 

D - Mas eram as mesmas galinhas, safado.

L - Os ovos das minhas eu pintava.

 

D - Que grande pilantra... (mas já havia um certo respeito no tom do delegado...) Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega..

L - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.

 

D - E o que você faz com o lucro do seu negócio?

L - Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.

 

O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:

 

D - Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?

L - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.

 

D - E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?

L - Às vezes. Sabe como é.

 

D - Não sei não, excelência. Me explique.

L - É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova.

 

D - O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.

L - Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!

 

D - Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...

Postado em: Causos






Faça o que eu faço

enviado por José Renato, 18 de agosto de 2011 - 0 comentários

Uma mãe levou o filho até Mahatma Gandhi e implorou-lhe:

- Por favor, Mahatma, diga a meu filho para não comer mais açúcar...

Depois de uma pausa, Gandhi pediu à mãe:

- Traga seu filho de volta daqui a duas semanas.

Duas semanas depois, ela voltou com o filho. Gandhi olhou bem nos fundos dos olhos do garoto e lhe disse:

- Não coma açúcar...

Agradecida, porém perplexa, a mulher perguntou a Gandhi:

- Por que me pediu duas semanas? Podia ter dito a mesma coisa a ele antes!

E Gandhi respondeu-lhe:

- Há duas semanas, eu estava comendo açúcar.

Postado em: Causos






Suspeita

enviado por José Renato, 11 de agosto de 2011 - 0 comentários

Um lenhador de quem tinha desaparecido um machado suspeitou que o filho do vizinho o tivesse roubado. Ele observou a maneira de andar do jovem - exatamente como a de um ladrão! Ele observou as expressões do jovem - idênticas as de um ladrão! Ele observou a maneira de falar do jovem - igual à de um ladrão! Em resumo, todos os gestos e ações do rapaz o denunciavam claramente como o culpado do roubo!

Mais tarde, andando por um vale, o homem encontrou seu machado perdido numa ravina e lembrou-se de ali o ter deixado, quando anteriormente tinha ido para a montanha cortar lenha.

No dia seguinte, cruzando-se de novo com o filho do vizinho, o lenhador observou-o com redobrada atenção, mas desta observação todos os gestos, expressões, voz e ações do jovem lhe pareceram absolutamente normais. De fato, o rapaz não se comportava de modo algum como ladrão!

Não julgue o que não vê, antes de avaliar como o vê.

"Mudemos nosso pensamento e o mundo ao nosso redor mudará também".

Postado em: Causos






Nós somente ouvimos o que queremos ouvir

enviado por José Renato, 07 de agosto de 2011 - 0 comentários

Um padre de uma cidadezinha do interior estava notando que o vinho de sua sacristia estava sendo roubado e o ladrão não levava, consumia o vinho.

Como o sacristão havia chegado meio bêbado à igreja, o padre desconfiou dele e o inquiriu no confessionário.

- Sacristão, quem está roubando o vinho da sacristia? O sacristão disse:

- Padre, fale mais alto, pois daqui não está dando para ouvir nada. O padre encheu os pulmões e gritou:

- Quem está roubando o vinho da sacristia? E mais uma vez o sacristão respondeu:

- Sane, padre, daqui não se ouve nada mesmo. Quer ver? O senhor sai daí e vem para cá; eu saio daqui e vou para o seu lugar.

E fizeram a troca de lugares. Então, o sacristão perguntou:

- Padre, quem é que está namorando a irmã Mana? E o padre respondeu:

- É... meu filho, você tem toda razão: daqui deste lado não dá para se ouvir nada mesmo...

As pessoas somente ouvem o que querem ouvir, o que é coerente com seus preconceitos, inferências e valores. Nós enxergamos os objetos não como são, mas como nós somos.

(Retirado do livro: "Histórias Interessantes" de Assis de Almeida)

Postado em: Causos







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