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Questões importantes para potencializar a Inovação nas Organizações.

A busca pela inovação de seus processos e produtos tem aumentado de forma sistemática em várias organizações. Talvez por conta do mercado brasileiro não ter nascido e crescido sob este foco, notam-se características e cuidados muito específicos a serem considerados nas empresas que atuam em nosso país.

Durante muitos anos a indústria brasileira foi considerada mundialmente como simples provedora de mão de obra, através da prestação de “alguns” serviços, de menor valor agregado. Um exemplo muito claro disso aconteceu nas empresas de bens de consumo. Na grande maioria das vezes, restava à esta indústria apenas a montagem de produtos. Eram tempos em que a inovação nacional estava, quando era o caso, limitada as linhas de produção. O resultado disso é que os processos produtivos da indústria brasileira de bens de consumo passaram a ser de excelência. Este diferencial, no entanto, não se perpetuou.

A globalização mundial deu destaque a outra questão mais crítica, o custo. Nos últimos anos, digamos dez a quinze anos, principalmente, baixou de forma significativa a relevância dos custos de produção na formação final do preço do produto. Sendo assim, o único diferencial de inovação da indústria brasileiro passou a ser pouco representativo. A mesma lógica serviu para muitas empresas do segmento automobilístico.

As empresas que atuam no mercado brasileiro precisaram agregar outros valores aos seus serviços para que pudessem reposicionar sua relevância ou destacar algum diferencial. A presença de áreas próprias de desenvolvimento de produto e engenharia, por exemplo, que antes costumavam não estarem presentes em nosso país, foi o caminho encontrado por muitas organizações. Infelizmente, não foram muitas as empresas que se preocuparam com isso. Como resultado, houve a substancial redução de sua representatividade.

Os exemplos são inúmeros e passam também pelo segmento de engenharia e construção e tantos outros. Na construção civil, por exemplo, nota-se crescimento muito grande de novos players que fundamentam sua forma de atuação justamente no baixo custo. Qual foi a resposta das grandes organizações deste segmento? Reduzir seus quadros.Algo necessário, mas que está longe de sinalizar um novo diferencial que poderá potencializar seu crescimento. A busca pela inovação parece ser a saída, ainda mais em tempos como os atuais, em que soluções, digamos, menos republicanas, acabaram por mudar totalmente o combustível que irá mover este segmento desde então.

No Brasil, a busca por este ciclo inovador foge do modelo padrão utilizado em outras indústrias mundiais. Isto mesmo, o modelo tradicional de gestão da inovação adotado em muitos países, não está adequado a grande maioria das organizações que atua em nosso país. A não ser em casos de empresas que já tenham, inseridas em suas estruturas organizacionais, áreas e equipes dedicadas para pesquisa e desenvolvimento, gerir inovação deve considerar questões muito particulares e próprias de cada um de seus segmentos.

Empresas prestadoras de serviços, nos mais diversos segmentos, e que identificaram, o que é um acerto, a necessidade de inovar seus processos devem se atentar a isso. Os modelos e cases presentes atualmente no mercado brasileiro não são os mais adequados para estas organizações que apenas agora passaram a investir na inovação.

Uma vez que não possua uma área de P&D, pesquisa & desenvolvimento, adotar as práticas convencionais de parcerias com universidades e entidades de pesquisa, por exemplo, é um equívoco. Uma alternativa óbvia, mas inadequada para empresas que não tenham um consistente histórico de parcerias similares. As grandes organizações de ensino, públicas e privadas, também não estão preparadas para isso.

Chega a ser quase o mesmo que investir em fundo perdido. Mas o pior de tudo é o resultado que este equívoco traz em seguida. A descrença! Sim, pois o equívoco na forma como se busca a inovação poderá sinalizar que inovar não é o caminho. Um erro crasso que faz voltar a tona o velho ciclo do “se fazer as coisas como sempre se fez”. Adotar um modelo equivocado fará total diferença e resultará em um entendimento indevido. O momento de olhar realmente “fora da caixa” está ainda mais presente em tempos de crise. É hora de buscar o caminho que talvez não seja o mais fácil, mas que certamente é o mais efetivo.